Ouça agora na Rádio

N Notícia

Maduro revela desejo de encontro com Trump para resolver crise na Venezuela

FOTO: © AP Photo / Ariana Cubillos

Maduro revela desejo de encontro com Trump para resolver crise na Venezuela

O presidente venezuelano Nicolás Maduro revelou nesta quinta-feira que seu chanceler se reuniu recentemente em Nova York com o enviado especial dos Estados Unidos para a Venezuela, Elliott Abrams, a quem Maduro convidou para visitar a nação sul-americana.

Informações compartilhadas Sputnik Brasil

As duas últimas reuniões ocorreram quatro dias após Abrams declarar que já tinha passado o tempo para manter um diálogo com o governo de Maduro, segundo a Agência Associated Press, que entrevistou Maduro.

Mesmo crítico da postura beligerante do presidente estadunidense Donald Trump diante do seu governo socialista, Maduro revelou que espera realizar uma reunião com o líder dos EUA para resolver a crise no país caribenho, agravada com o reconhecimento que a Casa Branca fez do líder da oposição, Juan Guaidó, como presidente interino da Venezuela.

Maduro assegurou que não vai renunciar e destacou que a ajuda humanitária norte-americana que está atualmente na fronteira com a Colômbia era simples "migalhas" depois que o governo dos Estados Unidos congelou milhões de dólares em ativos venezuelanos.

Transição tem que incluir chavismo e militares, diz líder da oposição

Um governo de transição na Venezuela teria que incluir chavistas e militares para alcançar estabilidade política e garantir eleições presidenciais livres no país do petróleo, de acordo com um líder da oposição de alto escalão.

A possibilidade de espaço aberto a abandonar o governo de Maduro começou a ser discutida no Parlamento, que impulsiona um processo de transição após ter declarado presidente ilegítimo, alegando que as garantias democráticas não foram respeitadas nas eleições, em que a principal os líderes da oposição não puderam concorrer.

O Congresso apoiou a autoproclamação de Guaidó como presidente interino. Os Estados Unidos, a União Europeia e muitos países latino-americanos reconheceram o líder da oposição.

O vice-presidente do Congresso oposição da Venezuela, Stalin Gonzalez disse à Agência Reuters nesta quinta-feira que a abertura para integrar o chavismo é tão necessária quanto a pressão popular e apoio internacional para Maduro ceder o poder e ter uma transição ordenada.

"Achamos que o chavismo e os militares deveriam fazer parte desse governo de transição", disse o deputado da oposição, referindo-se aos seguidores do falecido presidente Hugo Chávez. "Temos que dar espaço a chavismo, que não é Maduro, porque tem que haver estabilidade política", acrescentou o parlamentar.

A Venezuela sofre uma profunda crise econômica, com escassez de produtos básicos e o fracasso dos serviços públicos, o que levou, de acordo com as Nações Unidas, cerca de 3 milhões de venezuelanos a emigrar.

A oposição ofereceu garantias e anistia aos militares e funcionários que não reconhecem Maduro, buscando superar a pior crise política do país em décadas.

Maduro rejeitou as ações da oposição e denunciou que elas são parte de uma estratégia dos EUA para derrubá-lo e assumir o controle da riqueza do petróleo da Venezuela.

O presidente venezuelano mantém o apoio de potências como a China e a Rússia, embora nesta quinta-feira o ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov, tenha lembrado que Caracas deve cumprir as obrigações de dívida com Moscou.

Cuba também denunciou na quinta-feira o que chamou de uma escalada de pressão dos Estados Unidos para preparar uma ação militar contra a Venezuela e expressou sua solidariedade "inabalável" com Maduro.

Oposição vai trabalhar para abordar a Rússia

A oposição venezuelana vai trabalhar no estabelecimento de contatos com a Rússia para discutir diferentes questões, incluindo contratos com a petrolífera estatal venezuelana PDVSA, disse o vice-presidente da Assembleia Nacional, José Manuel Olivares, à Sputnik em Washington.

"Acho que uma forma de comunicação entre o novo governo da Venezuela e a Rússia será estabelecida de alguma forma", declarou Olivares nesta quinta-feira, durante uma conferência de ajuda à Venezuela.

Quando questionado sobre os contratos entre a PDVSA e a Rússia, o deputado disse: "O governo precisa trabalhar nisso para estabelecer uma forma de comunicação com a Rússia para discutir isso diretamente".

FONTE: Sputnik Brasil
Link Notícia