Ouça agora na Rádio

Ouça agora

Caso Bernardo: contradições marcam depoimento de ex-secretária de Boldrini

Postado em 13/03/2019 por

Compartilhe agora.
Rádio Guaíba

Se relatos mais emotivos marcaram a parte da manhã do julgamento dos acusados no Caso Bernardo, momentos mais tensos foram a tônica da tarde desta terça-feira, no Fórum de Três Passos. Única testemunha arrolada tanto pela acusação quanto pela defesa de Leandro Boldrini, a ex-secretária da clínica do médico, Andressa Wagner, se contradisse algumas vezes quando questionada pelo Ministério Público (MP) sobre a assinatura do ex-chefe, que supostamente estava na receita do Midazolam, medicamento que, conforme a perícia, foi utilizado em superdosagem na execução do menino.

O promotor Ederson Vieira questionou incisivamente a testemunha, que trabalhou cerca de cinco anos com Boldrini, sobre as assinaturas presentes em receitas do réu. “A senhora disse que era sempre a mesma, agora vai dizer qual era a dele”, disse, ao mostrar duas assinaturas diferentes. “A assinatura do doutor Boldrini era bem variada”, comentou Andressa, ao se deparar com os documentos. “Mas a senhora acabou de dizer que era sempre a mesma”, contrapôs acusação.

O MP seguiu insistindo, mostrando os documentos à testemunha. Ela vacilou em algumas respostas, em alguns momentos dizendo que pareciam diferentes, em outros explicando que não recordava qual era a oficial. O promotor, então, questionou: “Em algum momento ele reclamou ou chegou ao conhecimento dele que um procedimento tivesse sido feito sem a assinatura dele?”. Andressa negou: “Ele variava muito nas assinaturas. Às vezes, tava com pressa e fazia um rabisco”.

Diferente de outras testemunhas, Andressa Wagner afirmou que não queria ser fotografada ou pela imprensa. Quando questionada pelos advogados de defesa de Leandro Boldrini o motivo pelo qual tomou essa decisão, ela começou a chorar e disse que não queria falar sobre isso. O representante do réu ainda perguntou para ela há quanto tempo não se deparava com a assinatura do médico e antigo chefe. Ela respondeu que desde 2014, quando trabalhava em sua clínica. Contou também que sentiu diversos sentimentos por Boldrini, como gratidão e também raiva.

Reprodução de vídeos deixam clima pesado

Uma das testemunhas arroladas pela defesa de Leandro Boldrini, a técnica em enfermagem e ex-funcionária do médico, Marlise Cecília Henz, relatou que não acreditava que o antigo chefe tivesse participado do assassinado do próprio filho. Ela comentou, no entanto, que não havia assistido aos vídeos divulgados à época, que mostravam o clima familiar a que o menino era submetido. O MP, então, reproduziu as imagens.

Foi um dos momentos em que o clima ficou mais pesado durante o julgamento. Foram cerca de 15 minutos de exibição e reprodução de trechos. No vídeo mostrado, Graciele Ugulini, madrasta de Bernardo, e Leandro, registram o menino gritando repetidamente por socorro. No final, discutem com ele e o ameaçam. Assim que a gravação parou de ser mostrada, Cecília pareceu espantada, mas afirmou que ainda não acreditava no envolvimento do médico.

A opinião a respeito de Graciele, porém, era bem diferente. Um relato nesse sentido foi quando relembrou o dia em que Bernardo procurou a Justiça para reclamar a desatenção familiar. A testemunha declarou não ter visto desamor por parte de Leandro, mas que a madrasta se revoltou. “Ela chegou, deu um soco na mesa e disse que ia contratar um matador de aluguel para matar o Bernardo. Nunca falei isso com o doutor Leandro”, depôs a ex-funcionária, que afirmou ter achado que não seria uma ameaça real.

Restam seis testemunhas no julgamento

A assinatura de Leandro Boldrini voltará a ser foco de discussões na última testemunha a ser ouvida. Luiz Gabriel Passos, perito arrolado pela defesa, deve dar depoimento de cerca de cinco horas. A intenção dos advogados do médico será provar de que a receita do Midazolam não foi assinada pelo pai do menino Bernardo.

Antes dele, ainda serão ouvidas outras cinco testemunhas: Luiz Omar, que trabalhou com Leandro Boldrini; Paulo e Wilson Boldrini, irmãos do réu; Sônia, sua cunhada; e Maria Lúcia Cremonese, professora de Bernardo. Até aqui, foram ouvidas oito testemunhas. Depois do primeiro dia, em que depuseram duas delegadas envolvidas nas investigações do crime, a terça-feira contou com seis depoimentos.

Além de Juçara Petry, Ariane Schmitt, Andressa Wagner e Marlise Cecília Henz, foram questionadas Lori Helle, ex-babá de Bernardo, e Rosângela Pinheiro, ex-funcionária do hospital em que Leandro trabalhava. Esses últimos depoimentos, contudo, duraram apenas cerca de 15 minutos cada.

Rádio Guaíba

Link da Notícia

Deixe um comentario

Estamos felizes por você ter optado por deixar um comentário. Lembre-se de que os comentários são moderados de acordo com nossa política de comentários.